É impressionante o que se consegue achar na internet sobre Primeiro Cinema. Levando em consideração que esta que vos escreve passou uns bons 10 anos estudando tais filmes apenas por sua descrição em livros, chega a ser emocionante poder ir reconstruindo a História do Cinema de link em link. Abaixo, alguns marcos da história do cinema, experiência OBRIGATÓRIA para quem está começando:
Grandma’s reading glass, 1900
Uma primeira estrutura de olhar-coisa olhada, ponto de vista, close up, ainda justificada pela máscara/lente
Stop Thief! 1901
Um dos primeiros “filmes de perseguição”, ainda sem a regra de eixo de direção de movimento.
Life of an American Fireman, 1903
Uma das primeiras tentativas de montagem paralela, ainda tateante.
The Great Train Robbery, Edwin S. Porter, 1903
A linguagem já começa a se sistematizar: montagem paralela, planos de detalhe, campo/contracampo. Mas… onde colocar aquele close up frontal no final???
São peças de propaganda, é sempre bom ter em mente, mas eu acho que há sempre algo bom em ver o Walter Murch trabalhando, sobretudo para quem está começando. Se a Apple não fosse tão conservadora, nos deixaria baixar os vídeos, mas… Dever de casa obrigatório aos alunos do Edição I, viu, moçada?
Bonnie e Clyde (Bonnie and Clyde, Arthur Penn, EUA, 1967)
Da montadora Dede Alen, a mesma de Serpico, Um dia de Cão e o Clube dos Cinco (!!!). Hollywood, por incrível que pareça, tem tradição de montadoras e Dede Alen é uma delas, ao lado, entre outras, de Verna Fields (Jaws), Sally Menke (Pulp Fiction) e Thelma Schoonmacher (Touro Indomável, Os Infiltrados)
Libertanto-de do cânone, a decupagem/montagem de ação começa a ganhar contornos reconhecíveis.
(Infelizmente, quem colocou isso no YT cometeu a idiotice de “editar” trechos sensacionais do filme. Está aqui por falta de referência melhor, mas recomendo MUITO ver o filme)
O show deve continuar (All that jazz, Bob Fosse, EUA, 1979)
Com o saudosíssimo Roy Scheider
Oscar de melhor montagem para Alan Heim (Network, 1976)
Excelente artigo de Eduardo Valente sobre o filme.
Um verdadeiro divisor de águas no cinema americano.
Algumas indicações de filmes cuja montagem/linguagem é particularmente elucidativa sobre o cinema canônico (nem que seja como negação deste).
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Matar ou Morrer (High Noon, 1952, Fred Zinnemann)
Com Gary Cooper, Grace Kelly, Lloyd Bridges
Oscar de melhor montagem (entre outros): Elmo Williams ( de 20000 léguas submarinas)
Auge da linguagem canônica, verdadeira aula de decupagem e montagem para criar o efeito “janela para o mundo”. O uso da “montagem paralela” é absolutamente fundamental para criar a crescente tensão pela chegada do bandido. Reparem como é a montagem que cria o espaço/tempo: na cena em que a noiva e a prostituta estão deixando a cidade e passam na frente do xerife, é possível perceber como o movimento na verdade se sobrepõe: entre os planos dele e delas, há sempre uma repetição do movimento que, no entanto, tendemos a ler como um movimento contínuo. É um ótimo exemplo de como o cânone constrói a continuidade/linearidade a partir de fragmentos, sempre com uma certa ajudinha do nosso olhar.