Pois eu tenho a impressão de que o Escorel lançou a polêmica crítica (?) sobre Moscou na piauí foi pra alavancar o filme — antes uma polêmica do que a completa incompreensão, no vazio, do que pode ser um “fracasso”, como diz KMF. Para meus queridos aluninhos do Cisme (oi, gente!): é fundamental ver o filme e ler a discussão.
Recomendo os textos do Cleber Eduardo, da Ilana Feldman e do Eduardo Valente, todos na Cinética, e mesmo o blog do Jean-Claude Bernardet (que mais joga idéias ao vento, hoje em dia, do que escreve uma crítica ou ensaio a partir do filme, como é o caso dos demais textos).
A questão da construção pela crítica de uma imagem que não corresponde ao objeto (ou de um culto vazio ao cineasta antes da própria obra) não vem de hoje, não se restringe (ou, no caso dos textos citados, não se aplica) a Coutinho e “Moscou” e não é sequer mais ou menos abraçada com coerência pelo texto do Escorel, a meu ver. Pros meus aluninhos, lanço a missão de assistir ao filme, para que continuemos a discussão sobre o “dispostivo”, o tempo todo atentos a sua falibilidade. O dispositivo não garante nada, o dispositivo é um começo, uma proposta, um colocar-em-jogo. Algo extremamente importante para compreendermos o audiovisual contemporâneo, mas também (por isso mesmo) prenhe de sua própria possibilidade de falência, em todos os sentidos. E “Moscou” pode, no meu entendimento, ser visto como o dispositivo rodando em falso — o que, percebam, não é necessariamente algo ruim (do mesmo modo que “Jogo de Cena” começa a partir de um dispositivo, mas é mais do que ele, “Moscou” pode apontar um dispositivo que patina, mas é mais do que isso!).
Boa volta às aulas!

