Desdobramentos

Moscou

August 10, 2009 · 2 Comments

Pois eu tenho a impressão de que o Escorel lançou a polêmica crítica (?) sobre Moscou na piauí foi pra alavancar o filme — antes uma polêmica do que a completa incompreensão, no vazio, do que pode ser um “fracasso”, como diz KMF. Para meus queridos aluninhos do Cisme (oi, gente!): é fundamental ver o filme e ler a discussão.

Recomendo os textos do Cleber Eduardo, da Ilana Feldman e do Eduardo Valente, todos na Cinética,  e mesmo o blog do Jean-Claude Bernardet (que mais joga idéias ao vento, hoje em dia, do que escreve uma crítica ou ensaio a partir do filme, como é o caso dos demais textos). 

A questão da construção pela crítica de uma imagem que não corresponde ao objeto (ou de um culto vazio ao cineasta antes da própria obra) não vem de hoje, não se restringe (ou, no caso dos textos citados, não se aplica) a Coutinho e “Moscou” e não é sequer mais ou menos abraçada com coerência pelo texto do Escorel, a meu ver. Pros meus aluninhos, lanço a missão de assistir ao filme, para que continuemos a discussão sobre o “dispostivo”, o tempo todo atentos a sua falibilidade. O dispositivo não garante nada, o dispositivo é um começo, uma proposta, um colocar-em-jogo. Algo extremamente importante para compreendermos o audiovisual contemporâneo, mas também (por isso mesmo) prenhe de sua própria possibilidade de falência, em todos os sentidos. E “Moscou” pode, no meu entendimento, ser visto como o dispositivo rodando em falso — o que, percebam, não é necessariamente algo ruim (do mesmo modo que “Jogo de Cena” começa a partir de um dispositivo, mas é mais do que ele, “Moscou” pode apontar um dispositivo que patina, mas é mais do que isso!).

Boa volta às aulas!

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Pós/Vida 7: Deadlines são um terror

July 31, 2009 · Leave a Comment

Aproveito para ‘roubar’ os quadrinhos do Alex Primo sobre vida acadêmica — os orientandos hão de se enxegar aqui…

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Cibercultura

July 31, 2009 · Leave a Comment

Alex Primo, coordenador do GT de Cibercultura da Intecom (para o qual meu artigo foi selecionado, uhu!), disponibiliza em seu blog uma providencial bibliografia sobre cibercultura. Muito, muito útil.

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ABNT

July 10, 2009 · Leave a Comment

Achei as miseráveis aqui (onde já se viu ter que pagar pra ter isso, a esta altura do campeonato???).

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Call for papers

July 7, 2009 · 3 Comments

Vida de pesquisador é um CFP atrás do outro. (Eu, aliás, adoro essa expressão: “call for papers”. Sempre me lembra alguém no banheiro quando o papel higiênico acabou, rs — já mencionei que faço parte da comunidade “Minha Imaginação é F…da”???) Neste momento, por exemplo, eis os que estão na minha mesa:

Nacionais
Intercom, 10 de julho
SBGames, 24 de julho

Internacionais:

Presence 2009, 10 de julho
Interactive Digital Storytelling, 13 de julho

Amém existam tantas conferências — meu plano é ir a várias. Não existe nada melhor: viajamos para novos lugares, conhecemos pessoas interessantes, com as quais podemos conversar sem ter que gastar 45 minutos explicando “como assim, videogame???” Se tudo der certo, ainda ficamos conhecidos pelas nossas idéias, o que é exatamente o que buscamos, aprendemos coisas novas, conhecemos parceiros, caminhos para futuras pesquisas. 

Difícil mesmo é conseguir viabilizar tal plano sendo “pesquisador brasileiro”… Eu, hoje em dia, só sou pesquisadora por minha própria insistência, afinal, a instituição onde trabalho me paga apenas para dar aulas, orientar trabalhos (dos outros) e coordenar. A pesquisa que desenvolvi é mérito apenas meu e da instituição em que desenvolvi mestrado e doutorado, além, é claro, do CNPq.

Hoje, tais apoios ficaram no passado e, pelo menos por ora, sou uma autêntica independent scholar brasileira: que dá 19 horas em sala de aula (seis disciplinas, sendo duas de pós lato sensu, para oito turmas), orienta uma meia-dúzia de alunos, coordena uma pós lato sensu, dá palestras aqui e ali e, no tempo que sobra, tenta (sobre)viver numa cidade que já há algum tempo está abaixo dos níveis mínimos de civilidade, pelo menos no que diz respeito a transporte e segurança…

Pior do que olhar pros meus colegas do 1º mundo e vê-los como associate professors, em tenure tracks, dando 8 horas em sala de aula e gastando pelo menos 20h com pesquisa, além de ganharem o suficiente para manter a cabeça acima d’água, é perceber o quanto nossas pesquisas perdem nessa “estrutura” brasileira. Sinto, por exemplo, que não posso adiar meu pós-doc além de 2010 e que, para que ele tenha alguma pertinência, eu deveria sair do Brasil. Sinto que preciso de diálogo REAL com gente da inteligência artificial, da narratologia, das ciências cognitivas ou corro o risco de patinar em torno de conceitos muito bonitos, mas que não ressoam a realidade. Onde buscar isso no Brasil? 

É, de fato, uma pergunta. Um dos projetos para as férias escolares de julho — na medida em que meu combalido cérebro permitir — é pesquisar minhas opções no Brasil e fora. Bolsas, grants, visiting scholar positions, seja o que for. Mas confesso uma grande decepção e um enorme cansaço. Mas há que se sacodir esse cansaço pra longe, sentar a bunda na cadeira e fazer aquela mágica que o brasileiro faz para, contra tudo e todos, ainda conseguir se destacar em congressos internacionais…

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Abacaxi

June 11, 2009 · 2 Comments

E aos 6 do primeiro tempo, o mesmo abstract é negado por outro congresso. Quer dizer, praticamente o mesmo abstract, com mudanças mínimas (o deadline foi no mesmo dia em que recebi o “não” da Digra). O interessante neste caso é que, enquanto o reviewer 1 do congresso anterior não conhecia a aplicação do Umwelt (e dizia “desconfiar” da proposta), o atual reviewer 1 diz o exato oposto: que já foi usado e é bom eu pesquisar melhor. Bom, ele falava de affordances + being there, o que não é um conceito vindo da semiótica e, por isso, é bem mais conhecido/aplicado. Mesmo assim, num, negaram porque meu conceito-chave era desconhecido, noutro, porque era conhecido demais (donde eu estaria sendo repetetitiva). Moral da história: eu preciso aprender a escrever abstract, porque, em ambos os casos, se eu tivesse me auto-citado, acho que teria resolvido o problema.

Confesso que este segundo “não” seguido foi mais balde-de-água-fria até do que o anterior (apesar de conversas com pares nacionais terem me tranqüilizado, afirmando que é normal), não tanto pelo problema acima descrito. Em ambos os casos, minha pontuação patinou no quesito “mérito científico” e eu estou aqui com meus botões pensando até onde isso é apenas culpa do abstract… Tenho que repetir algumas vezes que nos quesitos “relevância filosófica” e “relevância para os games studies” a pontuação foi, para um revisor, máxima e, para o outro, muito boa… A pulga que fica atrás da orelha vem do fato d’eu ter feito o doutorado fora do universo dos games per se. Essa era minha preocupação na banca: quem ali poderia trazer essas questões? Claro, nem tanto à terra, nem tanto ao mar: outras questões muito (ou mais) importantes vieram à tona, pois o mundo não se restringe (amém!) aos games studies, mas esses dois “nãos” estão me dizendo que eu tenho que pensar num pós-doc mais stricto sensu…

Ou não. Sei lá. Mas já tenho um bom trabalho para os próximos dias, se quero inscrever este artigo na Intercom e vê-lo receber, finalmente, um sim. 

(Afora tudo isso, continuo meio chateada pelo handicap notório do pobre pesquisador brasileiro, a falta de apoio e a conseqüente dificuldade de circular ou de fazer circular meu pensamento.) Ao mesmo tempo, esse esquema de peer reviewing bem que merece uns cascudos… Um dos revisores contesta frontalmente um conceito: Marie Laure Ryan não considera narrativa uma “habilidade cogntiva”. Pois bem, senhor revisor, leia melhor, na página 9 da introdução do livro Narrative across media”:

(…) On the other hand, narrative is a mental image – a cognitive construct – built by the interpreter as a response to the text. (…) it does not take a representation proposed as narrative to trigger the cognitive construct that constitutes narrativity: we may form narrative scripts in our mind as a response to life.

Estou aqui me consolando, pensando que tudo isso tem que servir — e como serve!!! — de estímulo para de fato escrever o artigo. Vai ser preciso saber separar o joio do trigo — as críticas úteis e as bobagens. No terreno das bobagens, além da supracitada, há uma medida meio subjetiva de até onde ir com o xiitismo do molde “científico”: gastar linhas e linhas dizendo que fulano, beltrano e sei lá mais quem já falaram do assunto, não ser “ensaista” demais e prover dados etc. Mas acho que é preciso mudar o enfoque do artigo…

Ai, ai.

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Game Studies

June 10, 2009 · Leave a Comment

Hilário este textinho de Julian Kücklich sobre o que ele (ela?) chama de “Game Studies 2.0″, ou seja, um nova fase, pós-narratologia versus ludologia dos estudos dos games. Gostei mais pelas ótimas ironias — o visual Ikea da ludologia, com “cadeiras Juul” e “tapetes Aarseth” (HAHAHAHA!) — mas serve também pela premissa: de que o perfil dos estudos dos games mudou de forma sutil, mas muito importante. É meio esquizo para alguém aqui neste recôndito país “em desenvolvimento” pensar em “game studies 2.0″, sendo que não tivemos nem exatamente o 1.x e estivemos preocupados com outra pegada, mas… Eu, que ando meio aflita com a divulgação de minha própria pesquisa, só posso mesmo é rir do assunto…

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Authoring and Exploring Vast Narratives: An Interview with Pat Harrigan and Noah Wardrip-Fruin (Part One)

May 31, 2009 · Leave a Comment

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Well Played 1.0 + Eludamos + GameStudies

May 25, 2009 · Leave a Comment

Novo ebook sobre games: Well Played 1.0: Video Game, Value and Meaning (download gratuito). Não li ainda, mas há household names, como Mia Consalvo, James Paul Gee, então não deve fazer mal dar uma olhada. Ah, dá pra ter acesso aos capítulos individuais em html aqui

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Novo número da Eludamos, também com Mia Consalvo e outros.

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E ainda, novo número da GameStudies.org, edição comemorativa de 10 anos (!!!) (mas me atrai cada vez menos a revistinha dos ludologistas…).

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Cannes 2009

May 23, 2009 · Leave a Comment

Melhor cobertura de Cannes tá sendo a do Kleber Mendonça Filho (o do Vinil Verde!) no seu Cinemascópio. Além da análise in loco e das críticas, tem algumas imagens ge-ni-ais, como esta (Jean Pierre Léaud e Tsai Min Liang)

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