Colonization an its discontents

O blog da Variety nos traz a seguinte a absurda notícia: a franquia Syd Meier prepara o lançamento de um game de estratégia chamado Colonização, no qual o interator é convidado a (re)viver o processo de, bem, colonização, do ponto de vista dos colonizadores!!! Compartilho com o editor o choque: afinal, esse povo não estudou história?

Este depoimento, é preciso ser dito, é dado em 3ª mão: nem o game foi lançado, nem o editor jogou, eu muito menos, então há uma pequena chance d’eles terem feito algo realmente GENIAL e terem colocado ali a possibilidade de se jogar sob o ponto de vista dos colonizados. Isso ou qualquer — mas qualquer mesmo — característica de jogabilidade que não transforme o game numa acrítica, ofensiva e extremamente emburrecedora experiência de brincar de dizimar populações, como se fosse inócuo.

Meu… que horas vamos nos deparar com games mais críticos, hein??? Já não basta o Mel Gibson fazendo seus filmes imbecis e fundamentalistas???… WTF?!…

Detalhe: boa parte dos comentários no blog discorda do autor. E eu agora estou ainda mais confusa.

Ah, outro um artigo sobre o game original no Rock, Paper, Shotgun

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Duas leituras

Duas leituras desta tarde (com muito atraso, aliás): Mutações contemporâneas, de Peter Pál Pelbart e Igualdade Dissensual:Democracia e biopolítica no documentário contemporâneo, do Cezar Migliorin. Ambas do projeto Estéticas de Biopolítica, hospedado e co-escrito por colaboradores da Cinética, como o próprio Migliorin e Ilana Feldman, além de vários outros autores. No site, é possível baixar as versões em .pdf, o que é muito bom (embora eu esteja entendendo que daqui a pouco não vou mais pode imprimir duas páginas de pdf por folha, sob pena de não conseguir ler…).

O mundano me chama, mas, antes de ir, duas ou três idéias: o texto do Cezar dialoga e vai além do seu já muito bom texto sobre o filme-dispositivo. Agamben, Deleuze, Foucault, Ranciére, Guattari… referências em princípio diferentes das minhas, mas, por isso mesmo, ressoam com a potência (democrática? política? resistente? tensionadora?) de um atropelamento. Não que sejam referências inéditas, mas me deixaram com duas vontades incríveis: 1) de pensar (com muita calma, nenhuma pressa e bastante sabor) um projeto de pós-doc sobre o esgarçamento da narrativa e/ou as interfaces corporais dos games e a sociedade de controle e, mais importante, 2) terminar minha tese sob essa inquietação de algo novo se formando em minha mente. E isso é tão bom (que inclusive justifica eu ter gongado a praia pelo quarto dia consecutivo, em nome de ler, ruminar, pensar, mas não somente).

Recomendo MUITO as duas leituras.

Indie gaming?

As poderosas empresas por trás dos poderosos consoles na nova geração estão dando um jeito de abrir uma portinha — ainda que bem pequenininha — para os designers independentes de games. Cada um a sua maneira, Microsoft/Xbox360, Sony/PS3 e Nintendo/Wii arranjam um jeito — um tanto preguiçoso, na minha opinião — de selecionar uma parcela ínfima de designers com perseverança e conhecimento suficiente para fazer um jogo digno de ser baixado em suas comunidades online, sob a chancela dos consoles.

Eu acho isso okay, claro — certamente eles não perdem NADA, só ganham — mas, além de preguiçoso, é estranho. Quer dizer, é tão perverso quanto cenário audiovisual de ficção pré-digital, onde você até podia conseguir, a duríssimas penas, fazer um bom filme, mas pouca gente além da sua família ia chegar a vê-lo, simplesmente porque não havia canais de divulgação, distribuição etc. Aliás, no Brasil ainda é assim: nosso público dinheirinho ainda paga pela produção de filmes, indies ou não, mas só uma pequena parcela chega às telas, quaisquer que sejam.

Duas conseqüências diretas desse cenário perverso: 1) o crescente conservadorismo da indústria (se bem que “consevadorismo da indústria” devia ser redundância), que, com medo de perder as centenas de milhões investidos num jogo, prefere repetir fórmulas de sucesso até seu esgotamento, a tentar novidades de linguagem, jogabilidade, plasticidade etc. (como aliás, se dá na música, no cinema e na TV, talvez com menos força, uma vez que são mídias bem mais amadurecidas); 2) o risco de que os próprios designers independentes, na ilusão de conquistar um lugar, não ao sol, mas no rol de empregados das grandes corporações de game, também deixem de lado possibilidades mais radicais…

Talvez a História seja sempre um grande embate entre a repetição de fórmulas e a tensão de novas possibilidades. No game não haveria de ser diferente — mas a esperança é que o gargalo entre pessoas criativas e a produção/distribuição deixe de ser tão cruel, de preferência em menos de 100 anos.

Cinema + Game

Textim do blog de games da Wired sobre os intermináveis trechos de vídeo não-interativo do recém-lançado e hiper-hypado Metal Gear Solid 4. Para minha surpresa — e de todos, inclusive de Kohler, o autor do texto/post — os tais trechos ‘cinemáticos’ não transformam o jogo num pé-no-saco, porque são muito bem feitos. O texto/post também aponta para uma crítica sobre o GTA IV na seção de crítica de cinema Rolling Stone americana, referindo-se ao game como “o melhor filme do verão americano” (!!!) versus, por exemplo, The Happening e O Incrível Hulk.

Esta pobre (em todos os sentidos) blogueira-doutoranda se ressente de não ter os quase 3 mil dinheiros necessários para comprar um Playstation 3 em terras tupiniquins e, portanto, ainda não poder comprovar na prática — literalmente — o que esses dois moços escrevem. Ah, como é triste a vida de um pesquisador brasileiro…

Mas, enfim, pobreza à parte, questões surgem a toda velocidade. A primeira é: jura? A coisa que a grande maioria dos jogadores mais abominam com todas as suas forças — mesmo aqueles que, como eu, defendem a narrativa no game — são seqüências não-jogáveis no meio de um game. E eu, particularmente, mesmo defendendo a narrativa for a living, já falei que não acho que o caminho da narrativa seja por aí. Alás, acabei de dar um curso sobre o assunto na UFC onde reafirmei esse ponto. Daí que fiquei encafifada: o cara tá falando sério ou está dourando a pílula? Só vendo/jogando pra descobrir…

In the meantime, vou tentar produzir um textinho sobre o tema…

Ah one, two, one, two, three, four

Houston, tentando decolar novamente um blog que não seja apenas sobre o meu umbigo — ou pelo menos não sobre o meu umbigo físico! Vamos ver no quê que dá…

De antemão, agradecendo ao Lucas, aka Reconstruction, pela foto (ainda não) cedida para o layout. Esse meu ex-aluno tem futuro…

Este blog deveria ter surgido no começo doutorado. Mas, como o Google Reader só agora surgiu na minha vida — e como o fim do doutorado é o começo do Resto da Minha Vida, who cares?