Indie gaming?

As poderosas empresas por trás dos poderosos consoles na nova geração estão dando um jeito de abrir uma portinha — ainda que bem pequenininha — para os designers independentes de games. Cada um a sua maneira, Microsoft/Xbox360, Sony/PS3 e Nintendo/Wii arranjam um jeito — um tanto preguiçoso, na minha opinião — de selecionar uma parcela ínfima de designers com perseverança e conhecimento suficiente para fazer um jogo digno de ser baixado em suas comunidades online, sob a chancela dos consoles.

Eu acho isso okay, claro — certamente eles não perdem NADA, só ganham — mas, além de preguiçoso, é estranho. Quer dizer, é tão perverso quanto cenário audiovisual de ficção pré-digital, onde você até podia conseguir, a duríssimas penas, fazer um bom filme, mas pouca gente além da sua família ia chegar a vê-lo, simplesmente porque não havia canais de divulgação, distribuição etc. Aliás, no Brasil ainda é assim: nosso público dinheirinho ainda paga pela produção de filmes, indies ou não, mas só uma pequena parcela chega às telas, quaisquer que sejam.

Duas conseqüências diretas desse cenário perverso: 1) o crescente conservadorismo da indústria (se bem que “consevadorismo da indústria” devia ser redundância), que, com medo de perder as centenas de milhões investidos num jogo, prefere repetir fórmulas de sucesso até seu esgotamento, a tentar novidades de linguagem, jogabilidade, plasticidade etc. (como aliás, se dá na música, no cinema e na TV, talvez com menos força, uma vez que são mídias bem mais amadurecidas); 2) o risco de que os próprios designers independentes, na ilusão de conquistar um lugar, não ao sol, mas no rol de empregados das grandes corporações de game, também deixem de lado possibilidades mais radicais…

Talvez a História seja sempre um grande embate entre a repetição de fórmulas e a tensão de novas possibilidades. No game não haveria de ser diferente — mas a esperança é que o gargalo entre pessoas criativas e a produção/distribuição deixe de ser tão cruel, de preferência em menos de 100 anos.

Advertisements

2 thoughts on “Indie gaming?

  1. vim aqui conhecer o novo empreendimento para se ocupar e não terminar de escrever a tal da tésica. não comento a fustaleza aqui porque o comentário é lá, mas não resisto a única frase: é por aí, sem mais nem menos, é por aí.

    muito legal o breu com estas letrinhas cinzas, quase brancas, ou brancas, quase cinzas.

    breve chega em sua própria casa o livro novo. a ‘obra’ só se agiganta. hehehehe

    besos.

  2. arre elza, pesqs, não é desculpa para não escrever, não. pelo contrário, é pra ver se dá uma agitada nas idéias, cria diálogos, tensões, nem que seja comigo mesma (que sou lá dada ao isolamento…)
    🙂

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s