Pirataria?

Notinha da Wired sobre o que todos nós — pobres gastadores com cultura e eventuais downloadadores daquilo que simplesmente não dá/vale a pena comprar — já sabíamos: se a tal “pirataria” faz tão mal ao business, como explicar o lucro ASTRONÔMICO de, por exemplo, Cavaleiro das Trevas em seu primeiro fim de semana: US$155.3 MILHÕES???

Mais um forte indício de que, entre outras coisas, os lamentos da indústria são mesmo apenas… ganância.

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Narrativa vs. Jogabilidade — um novo round

Isso é pra gente aprender que a História é tudo, menos linear. Quando eu tinha certeza de que o caminho mais promissor para os games narrativos eram os chamados “open world games” ou “sandbox games”, dos quais o GTA é o grande emblema, eis que uma nova leva de defensores (gamers, jornalistas e pesquisadores) toma a posição contrária e, usando GTA IV e Metal Gear Solid 4, entre outros, como ponto de partida, começa a questionar essa narrativa de mundos abertos. Bom, na verdade, a polêmica está criada, porque, enquanto alguns defendem a narrativa que emerge do gameplay, outros voltam a dizer que não há nada de errado com longas seqüências não-jogáveis entrecortando o game, contanto que elas sejam boas (boas como filme, bem entendido).

De um  lado do ring, defendendo a narrativa como narrativa nos games: Chris Kohler, da Wired, e Geoffrey Long, do Gambit/MIT. Do outro, odiando ter que largar o controle e achando que a narrativa tem que emergir do próprio jogo (como eu defendo há anos — e o Roger concorda comigo): Justin Marks, na Game Set Watch, e, bom, acho, Ben Fritz, da Variety. 

Como são textos jornalísticos, não se vai muito a fundo nas questões, mas dá pra pescar pelo menos dois pontos importantes, que recoloco aqui: 1) talvez de fato haja espaço para a diversidade e os híbridos game-cinema, com suas longas seqüências não-jogáveis, não sejam coisa do passado; ao contrário, talvez devam crescer nos próximos anos, aproveitando o potencial gráfico dos novos consoles (e alguma maturidade na relação roteiro cinema-game); 2) a forma dos open-world games talvez precise ser repensada, depois do estrondo causado na nossa sensibilidade pela franquia GTA e seus congêneres; talvez não baste ser um mundo aberto, o caminho narrativo precisa ser amadurecido (mas, enfim, eu também já disse isso: better autonomous characters!).

Olha, eu queria muito, mas muito mesmo achar uma Game House que tivesse um PS3 ou um Xbox360 para poder jogar o GTA IV. Esta vida de pesquisador brasileiro é sofrida, mesmo… Me resta tentar reerguer o lab do CS:Games, mas isso só depois da tese…