Cinema e montagem: “Bonnie e Clyde”


Bonnie e Clyde (Bonnie and Clyde, Arthur Penn, EUA, 1967)

Da montadora Dede Alen, a mesma de Serpico, Um dia de Cão e o Clube dos Cinco (!!!). Hollywood, por incrível que pareça, tem tradição de montadoras e Dede Alen é uma delas, ao lado, entre outras, de Verna Fields (Jaws), Sally Menke (Pulp Fiction) e Thelma Schoonmacher (Touro Indomável, Os Infiltrados)

Libertanto-se do cânone, a decupagem/montagem de ação começa a ganhar contornos reconhecíveis.

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Cinema e montagem: “All tha jazz”

O show deve continuar (All that jazz, Bob Fosse, EUA, 1979)
Com o saudosíssimo Roy Scheider
Oscar de melhor montagem para Alan Heim (Network, 1976)

Excelente artigo de Eduardo Valente sobre o filme. Um trechinho particularmente apropriado:

E, acima de tudo, filma bem demais. Cada sequência é uma aula de decupagem, de montagem, de ritmo. A câmera se integra com seus atores e bailarinos de forma quase hipnótica, os cortes antecipam ou interrompem ações. Há tantas sequências antológicas no filme, e ao mesmo tempo sem que cada uma queira simplesmente chamar atenção para si: todas estão completamente integradas a um projeto. Assim, são igualmente fenomenais os grandes números musicais (como o inicial, o final e o do ensaio da peça) e as pequenas cenas entre os atores. Atores, aliás, fantásticos, capitaneados por um Roy Scheider possuído. Mas, mais do que isso, atores que a câmera lê como poucas, sabendo onde está a inflexão mais importante, o momento mais significativo, a reação mais expressiva. Assim é que cenas de dois personagens como a de pai e filha dançando, ou a da ex-mulher com o ex-marido, ou a namorada na cama com o namorado, ou o produtor com o cineasta, ou em especial um pequeníssimo momento entre o personagem principal e uma mulher moribunda no hospital são tão completamente apaixonantes como os grandes números.

Um verdadeiro divisor de águas no cinema americano.

Da série cinema canônico e montagem: “Matar ou Morrer”

Algumas indicações de filmes cuja montagem/linguagem é particularmente elucidativa sobre o cinema canônico (nem que seja como negação deste).


Matar ou Morrer (High Noon, 1952, Fred Zinnemann)
Com Gary Cooper, Grace Kelly, Lloyd Bridges
Oscar de melhor montagem (entre outros): Elmo Williams ( de 20000 léguas submarinas)

Auge da linguagem canônica, verdadeira aula de decupagem e montagem para criar o efeito “janela para o mundo”. O uso da “montagem paralela” é absolutamente fundamental para criar a crescente tensão pela chegada do bandido. Reparem como é a montagem que cria o espaço/tempo: na cena em que a noiva e a prostituta estão deixando a cidade e passam na frente do xerife, é possível perceber como o movimento na verdade se sobrepõe: entre os planos dele e delas, há sempre uma repetição do movimento que, no entanto, tendemos a ler como um movimento contínuo. É um ótimo exemplo de como o cânone constrói a continuidade/linearidade a partir de fragmentos, sempre com uma certa ajudinha do nosso olhar.