Call for papers

Vida de pesquisador é um CFP atrás do outro. (Eu, aliás, adoro essa expressão: “call for papers”. Sempre me lembra alguém no banheiro quando o papel higiênico acabou, rs — já mencionei que faço parte da comunidade “Minha Imaginação é F…da”???) Neste momento, por exemplo, eis os que estão na minha mesa:

Nacionais
Intercom, 10 de julho
SBGames, 24 de julho

Internacionais:

Presence 2009, 10 de julho
Interactive Digital Storytelling, 13 de julho

Amém existam tantas conferências — meu plano é ir a várias. Não existe nada melhor: viajamos para novos lugares, conhecemos pessoas interessantes, com as quais podemos conversar sem ter que gastar 45 minutos explicando “como assim, videogame???” Se tudo der certo, ainda ficamos conhecidos pelas nossas idéias, o que é exatamente o que buscamos, aprendemos coisas novas, conhecemos parceiros, caminhos para futuras pesquisas. 

Difícil mesmo é conseguir viabilizar tal plano sendo “pesquisador brasileiro”… Eu, hoje em dia, só sou pesquisadora por minha própria insistência, afinal, a instituição onde trabalho me paga apenas para dar aulas, orientar trabalhos (dos outros) e coordenar. A pesquisa que desenvolvi é mérito apenas meu e da instituição em que desenvolvi mestrado e doutorado, além, é claro, do CNPq.

Hoje, tais apoios ficaram no passado e, pelo menos por ora, sou uma autêntica independent scholar brasileira: que dá 19 horas em sala de aula (seis disciplinas, sendo duas de pós lato sensu, para oito turmas), orienta uma meia-dúzia de alunos, coordena uma pós lato sensu, dá palestras aqui e ali e, no tempo que sobra, tenta (sobre)viver numa cidade que já há algum tempo está abaixo dos níveis mínimos de civilidade, pelo menos no que diz respeito a transporte e segurança…

Pior do que olhar pros meus colegas do 1º mundo e vê-los como associate professors, em tenure tracks, dando 8 horas em sala de aula e gastando pelo menos 20h com pesquisa, além de ganharem o suficiente para manter a cabeça acima d’água, é perceber o quanto nossas pesquisas perdem nessa “estrutura” brasileira. Sinto, por exemplo, que não posso adiar meu pós-doc além de 2010 e que, para que ele tenha alguma pertinência, eu deveria sair do Brasil. Sinto que preciso de diálogo REAL com gente da inteligência artificial, da narratologia, das ciências cognitivas ou corro o risco de patinar em torno de conceitos muito bonitos, mas que não ressoam a realidade. Onde buscar isso no Brasil? 

É, de fato, uma pergunta. Um dos projetos para as férias escolares de julho — na medida em que meu combalido cérebro permitir — é pesquisar minhas opções no Brasil e fora. Bolsas, grants, visiting scholar positions, seja o que for. Mas confesso uma grande decepção e um enorme cansaço. Mas há que se sacodir esse cansaço pra longe, sentar a bunda na cadeira e fazer aquela mágica que o brasileiro faz para, contra tudo e todos, ainda conseguir se destacar em congressos internacionais…