Passage

O outro game é este aqui, o Passage. Transita na fronteira do não-agenciamento e, no entando, como é lindo!

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Estamos Pensando

Joguinho muito bonitinho apresentado a mim hoje (como é que a senhora não conhecia, senhora professora, hein???) pelos meus alunos do workshop de games do MIS (oi, gente!). Chama-se Estamos Pensando e venceu SBGames 2008 (again: como a senhora não conhecia???) e, na minha opinião, é a forma jogo para uma canção dos Los Hermanos (mesmo que o jogo tenha a sua própria canção, bem na linha dos barbudos, claro).

Must play.

A falta que faz a semiótica

Honestamente, eu queria muito mandar este keynote do Ian Bogost para a Digra ’09 para alguém como a Lúcia (Santaella), o Winfried (Nöth), a Irene (Machado) ou para a Lucrécia (Ferrara), para eles me dizerem se sou eu que estou ficando doida, ou se 90% do povo dos games podia mesmo mesmo mesmo mesmo aproveitar bastante uma única aula de semiótica em suas limitadas vidas…

Não sei, não… Me parece que ficam meia-dúzia de teóricos revisitando (com sérias limitações) a história da filosofia ocidental, para achar o melhor jeito de enquadrar o game ontologica e epistemologicamente, quando a maior parte das questões com as quais se debatem — “o game é o jogo em si ou a prática que emerge a partir da experiência do jogador?”, “game é jogo ou narrativa?”, “videogames são uma bagunça que não devemos arrumar” — seriam, para a semiótica, se não totalmente vazias, incrivelmente primárias.

Bogost, neste keynote (meu Deus, é um dos keynotes do evento!), gasta muita ATP para dizer que games não são games apenas para o jogador, mas para o processador, indo de Heidegger a Bruno Latour para tratar de uma questão que alguns dos melhores semioticistas já colocaram no bolso com excelência, ao defender que semiose — esse conceito genial — não existe apenas para o humano. Ok, é possível a vida aquém e além da semiótica, e eu tou bem longe de pertencer ao bloco dos “xiitas de Peirce”, mas, pelamordedeus, querer abraçar um objeto claramente comunicacional sem sequer tangenciar aquilo que se prova, se nada mais, a melhor âncora epistemológica é muito limitado.

Vou ver se convenço algum desses meus mentores a me ajudar a abordar a questão…

Digra ’09 Proceedings Online Now

Já estão disponívels na Biblioteca Digital da Digra os proceedings da conferência deste ano. Comecei muito bem a leitura pelo artigo Experiential Narrative in Game Environments, de Gordon Calleja, que trabalha conceitos muito parecidos com os que eu trabalho, mas vindo por outra abordagem. É sempre bom encontrar alguém no mundo dos games studies capaz de ir além do debate vazio entre narratologia x ludologia. (Eu, contudo, tenho que dizer que boa parte do que ele trabalha ali é muito melhor e mais tranquilamente resolvido quando se parte de uma epistemologia semiótica, para quem a questão de um texto que se constrói na leitura já está pacificada há muito tempo, sem apelar para a dicotomia texto x leitor.)

The Beatles: Rock Band

Eu ainda nem tive tempo de por minhas patinhas no jogo (devo fazê-lo amanhã na adorável aula extra com meus comparsas @rogertavares e Leandro ), mas o lançamento já repercute (o que era de se esperar — se nada mais, for the good folks do departamento de marketing da Harmonix, com todo o trabalho de lançar o jogo em 9/9/9 e tal…).

Tudo começa com a crítica “hiperbólica” do NYTimes para o game:

The Beatles: Rock Band is nothing less than a cultural watershed, one that may prove only slightly less influential than the band’s famous appearance on “The Ed Sullivan Show” in 1964. By reinterpreting an essential symbol of one generation in the medium and technology of another, The Beatles: Rock Band provides a transformative entertainment experience. (…) In that sense it may be the most important video game yet made.

Er… Menos. Ian Bogost responde, pra variar, mais ou menos bem, botanto paninhos quentinhos no delírio do crítico do NYTimes, mas entrando numa crítica aos baby-boomers que faz qualquer não-americano sentir vontade de parar e de ler e… bem, ir jogar videogame (nessas horas eu até esqueço que os Beatles não são uma banda americana…).

Mais criatividade parece ter tido a New Yorker Magazine, respondendo ao NYTimes com críticas paródicas a games clássicos, mas que, honestamente, também não são tão engraçadas assim… E ainda tem a matéria da NYTtimes magazine sobre a produção do jogo, que, segundo Bogost, deixa entrever (o óbvio) o quanto o game é mesmo uma peça finamente urdida de comércio musical, destinada a render muitos dinheirinhos.

Eu nem preciso jogar o game para saber que nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Mas vou deixar pra comentar depois de tocar o jogo (se for pra realizar sonhos de pop star wanna be, eu bem que preferia o The Who: Rock Band, em que eu pudesse de fato tocar o baixo de “My Generation”, numa experiência que, de alguma forma, emulasse criticamente aquela piração criada pelo John Entwistle e que, mal aê, mr. McCartney, reconfigurou what-the-f… it means to play bass guitar for rock’n roll. But I’m just saying…)