The cutting edge: the magic of movie editing

Três vivas à professorinha, que foi atrás do vídeo *passado em aula*, para que os demais alunos, além dos 4 (sim, apenas 4!!!) heróis que apareceram, possam se inteirar do que foi dado. É um documentário sobre a perspectiva hollywoodiana do que é e para que serve montagem, apenas para introduzir o tema. Usem com precaução e não levem ao pé da letra.

O que há de mais legal — além de alguns tópicos levantados — é dar voz a montadores como Walter Murch, (editor de som em American Graffiti, som e imagem em Apocalipse Now, Ghost e Tetro e, recentemente, imagem em The Wolfman), Sally Menke, a fiel escudeira de Tarantino (misteriosamente apenas indicada para o Oscar com Pulp Fiction e agora com Inglorious Basterds), Dede Allen (Bonnie & Clyde, Dog Day Afternoon, The Breakfast Club), Dylan Tichenor (recentemente indicado ao Oscar por There will be Blood), Kevin Tent (adoooro a história de como ele pagou US$ 75 pra editar a seqüência do jeito que achava melhor em Election!), Mark Goldblatt (Terminator), Craig McKay (The Silence of the Lambs), Conrad Buff (Terminator 2, The Happening e co-montador de Titanic, pelo qual ganhou o Oscar ao lado do próprio Cameron e de Richard Harris), Frank Urioste (Robocop, Totall Recall, Basic Instinct), Michael Kahn (principal montade de Spielberg, vencedor de Oscars por Raiders of the lost Ark, Schindler’s List e Saving Private Ryan), Paul Hirsh (Mission Impossible, Ferris Bueler’s Day Off e vencedor do Oscar por Star Wars), Carol Littleton (E.T.), Anne Coates (Lawrence of Arabia), Richard Chew (também vencedor por Star Wars e co-editor de One Flew over the Cuckoo’s Nest), Richard Marks (co-montador de The Godfather Part II), Tom Rolf (Taxi Driver),além da menção a Verna Fields (Jaws) e à “primeira montadora a ser chamada por esse nome” (supostamente por Irving Thalberg), Margaret Booth.

Algumas coisas levantadas pelo filme: a função de montador era considerada subalterna, associada à capacidade manual “feminina” de tricot e coisas afins, e foi somente quando o cinema se tornou sonoro, portanto, elétrico (=masculino), que passou a ser considerada uma função mais especializada (palavras de Murch). Isso explicaria, em parte, a tradição de montadoras femininas em Hollywood (com gênias como as supracitadas Menke, Allen e também Thelma Schoonmaker, montadora de Scorsese desde Raging Bull até hoje e misteriosamente não contemplada no filme).

O filme introduz os princípios de montagem “inventados” pelos pioneiros, como D.W. Griffith e Edwin S. Porter, nomeadamente, intercutting/paralel action (montagem paralela), invisible cut/seamless editing (montagem em continuidade, raccord de movimento), close up (primeiríssomo plano), flashbacks, deixando clara a função absolutamente narrativa de todos esses recursos.

Logo adiante, introduz a importância da “montage” russa, de Kuleshov e Eisenstein, de uma forma bastante parcial e elucidativamente ingênua (mesmo quando quem fala é Scorsese ou Tarantino), assim como quando fala da Nouvelle Vague (com direito à fantástica legendagem nomeando Breathless como A Força do Amor, em vez de Acossado…). Se bem que o Scorsese falando sobre a Nouvelle Vague é engraçado: “it was too hip, too beat, beatnik. I didn’t know what was going on. I loved it!”

O mais legal são as questões práticas que surgem, como ver Murch em sua sala de edição, com um mapa visual de todos os planos de câmera do filme e uma tela de projeção com indicação da escala humana (um editor de cinema é um editor de cinema para a sala escura!), os depoimentos sobre a construção de uma seqüência a partir de fragmentos dos mais diversos takes, alguns que nem sequer foram filmados para isso (enfatizando o trabalho meticuloso do montador em conhecer profundamente seu material bruto), sobre a construção da temporalidade e ritmo de uma cena, a partir da montagem, sobretudo nas cenas de campo/contracampo, que Kahn e Murch descrevem como uma espécie de “dança de olhares”.

(Pérolas da legendagem — do DVD exibido em sala, claro: Lou Lombardo = Lugenbardo; Acossado = A Força do Amor; “that’s the spot”=”esse é o segredo”… alguém lembra de mais alguma?)

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