A fita branca

Eu juro que eu ia escrever, mas, não podendo fazer (igual, que dirá) melhor que o texto do Cleber Eduardo na Cinética, resta indicar e tentar aprender 😉

Resigno-me a concordar (se é que tal verbo é apropriado no caso) e a dizer que, a despeito de tantas críticas focadas aos personagens de Haneke (em geral e neste filme) — penso na discussão na comunidade da Cinemascópio no Orkut (ui, que coisa mais 2007!), sobre como seriam meros títeres de uma tese-em-forma-de-história, o que me bateu fundo foi justamente esse estranhamento descrito pelo Cleber, os personagens ambíguos, mas parte dessa indeterminação que não é puro fetiche narrativo, essa tentativa de organizar um olhar numa teia esgarçada de intenções e, sobretudo (se é que se podem separar as duas coisas), os procedimentos visuais/sonoros com que Haneke cose tudo isso. Há algo de estranho ali que não fecha, que não se resolve, mas não como mero dispositivo (narrativo ou otherwise) e que segue ressoando dentro de mim.

Se o Cleber tivesse lendo, eu pediria a ele que nomeasse os filmes que também trabalham com “essas recusas e o fetiche da indeterminação” que “têm sido um dos pontos constantes do cinema mais associado a uma noção de contemporâneo”, dos quais difere o filme de Haneke, onde “a indeterminação (…) é da ordem da inevitabilidade, não um posicionamento no mundo”. Como eu acho que ele não vai ler, vou ter que perguntar ao vivo. Oh, vida difícil…

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