Lost e a arte de enganar multidões

Que fique meu breve depoimento acerca do final de Lost: é ridículo. Aliás, ridículo foi eu ter esperado, ainda que por um breve momento, alguma coisa diferente. Para alguém que já viveu o suficiente não para ver The X Files, mas para ver os fãs p… da vida com o final, era óbvio que a coisa ia terminar assim, simplesmente porque, conceitos hypados como “transmídia” à parte, é impossível amarrar todas aquelas pontas logicamente. Im.pos.sí.vel.

Daí, acontece o que aconteceu — cria-se uma metáfora bem breguinha que engloba tudo e os nerds do mundo seguirão para toda a eternidade discutindo suas teorias em fóruns de internet.

Ou então eu estou fazendo uma leitura muito rala e Lost, na verdade, não tem final: o purgatório são os fóruns, as páginas do YouTube, as wikis e suas infinitas teorias. Meu, é isso: é preciso let go. Ou seja, pela lógica genial dos criadores dessa maldita série, eu já havia me libertado quando mandei às favas a 3ª temporada, apostando que nunca nada daquilo ia fazer sentido! Mas aí, voltei — para a ilha, para os flashsideways, para o raio que o parta — e vi os dois primeiros episódios da 6ª temporada, li um pouquinho, assisti a uma meia-dúzia de recaps do SeanieB e vi os episódios 6, 8, 16 e 17… Esperando o babaca do Jack morrer, finalmente, e nos libertar dessa história cretina e sem sentido.

Bom, estou aqui pensando quanto sentido faz enxergar em “Lost” um exemplo de narrativa contemporânea — mundos vastos e complexos — se, afinal, (resisto bravamente a emitir um baita palavrão aqui neste espaço público) as malditas pontas não se juntam! Estamos de fato lidando com novas sensibilidades narrativas para juntar no mínimo três timelines diferentes quando… nada faz muito sentido?

Ridículo…

#henryjenkinsBR

Aparentemente, Henry Jenkins está no Brasil para um evento da Rede Grobo e sua palestra, amanhã (sexta, 28/5) de manhã terá streaming uma espécie de update minuto-a-minuto aqui. Jenkins é sempre legal de ver/ouvir.

(…)

Só agora entendi a ‘vibe’ desse mega-evento com o Henry Jenkins e tudo o que posso dizer é que não curto muito, não. Parece-me que o ciclo expandido da emissora do plim plim entendeu que o ‘lance’ agora é a ‘transmídia’ e a única maneira que eles conhecem de lidar com o assunto é fazer um espetáculo disso. Daí, tudo vira transmídia. E, se tudo é transmídia, nada é transmídia. Commoditização feelings, não conte comigo.

Artigo na Folha de SP sobre MMOs

Minha estreia na Folha de SP (espero que seja estreia, ou seja, espero que haja outros) com um artiguícolo (minúsculo, 2200, mas vá lá) sobre os afetos reais dos jogadores de MMOs e usuários de mundos virtuais como Second Life. Faz parte de uma matéria maior, com várias sub-retrancas, sobre MMOs. Comentários, please.

Folha de S.Paulo – Análise_ Afetos reais também têm lugar nos ambientes virtuais – 26_05_2010 (Versão em pdf p não-assinantes)

VI Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação

Já que o João Mattar e o Nelson Zagalo já fizeram duas maravilhosas coberturas/resenhas do VI Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação, vai me restar aqui cobrir a parte do GT de Jogos e Narrativa. Assim que tiver tempo…

Só para não esquecer, é preciso uma nota pessoal: foi maravilhoso. O pessoal da Bahia, capitaneado pela maravilhosa profa. Lynn Alves, organizou um seminário muito bacana e nos acolheu com carinho e dedicação ímpares. Mesmo — não se vê aquilo ali todo dia de jeito nenhum. O grupo de estudiosos dos games que está se formando em torno do seminário e do track de cultura do SBGames, além de sério e competente, é divertidíssimo e bastante afetuoso. Então, juntou-se o melhor dos dois mundos: ótimas palestras/debates e boas risadas, porque a gente também merece relaxar de vez em quando (tá pensando que estudar videogame é bolinho???).

Ainda na aldeia global

Com atraso, linko aqui a aparição no programa Login, da TV Cultura, na última terca-feira, 27/abril. Foi um encontro muito agradável com os dois simpáticos apresentadores – Fabio Azevedo e Roberta Youssef — e os outros dois convidados — meu já conhecido Marcos Cuzziol e o Erico Borgo. Abaixo, os links para o bloco 2 e 3, que é onde a gente discute se games são ou não são arte (ou, com maior justiça, a gente *não* discute, a gente concorda que games, como qualquer outra linguagem, podem ser arte. Duh.):

Login 27.4.2010 – Bloco 2

Login 27.4.2010 – Blogo 3

Sobre a famigerada discussão, o tempo da TV é obviamente muito pouco, mas deixemos assim, por enquanto. Para mim, é um falso problema, anyways… Mas que foi legal ir ao Login, ah, foi 😉