Livros sobre montagem

Moçadinha do Edição I: estou em processo de colocar nosso plano de curso online. Enquanto isso, aproveito para já colocar aqui alguns livros importantes sobre montagem:

The tecnique of film and video editing: history, theory , practice – Ken Dancynger. pdf

Estética da Montagem – Vincent Amiel.

The Focal Easy Guide to Final Cut Pro 6 – Rick Young. pdf

The technique of film editing – Karel Reisz e Gavin Miller (talvez o mais clássicos livros de montagem para o cinema narrativo).

(em construção)

Ponto a ponto

(Abaixo, resposta a um comentário numa discussão sobre o cartão de ponto para professores universitários. Resolvi postar aqui, pois, mesmo fora do contexto da discussão como um todo, revela o que penso sobre o assunto e acho que merece ser dito.)

Caro Fulano, (…) você demonstra pouco conhecimento sobre cartão de ponto, sobre a função de professores em geral, sobretudo do ensino superior, ainda mais professores doutores e, certamente, sobre esta professora em particular (…).
Não tenho tempo de responder ponto a ponto – porque, como professora doutora, trabalho MUITO e isso não tem absolutamente NADA a ver com cartão de ponto e sim com ética – digo apenas o seguinte: a natureza do trabalho de um professor, doutor ou não, de qualquer nível de ensino, é totalmente diferente da de outros tipos de profissão, como, por exemplo, o tal Zé da Padaria. O professor, esse ser por quem você parece ter um certo desprezo, é, por definição, um sujeito que, quando está em sala de aula, está exercendo apenas uma parte do seu trabalho. O resto desse trabalho, por sinal, como já disse, muito pesado, ele exerce estudando, pesquisando, preparando aula, elaborando metodologias mais eficientes de ensino, corrigindo trabalhos, atendendo alunos, algumas vezes até se envolvendo pessoalmente com problemas de alunos. Posso falar sobre tudo isso com muita tranquilidade, pois estou falando da *minha* vida e da de vários outros professores que conheço. Vários, eu disse e repito.
A natureza desse trabalho, que só é enxergado por uma parcela da população na sala de aula – você, aparentemente – torna o cartão de ponto um assessório completamente sem sentido. E não apenas porque o professor não vai passar o cartão na hora em que o aluno o aborda no corredor (ou lhe envia um email), porque ele não vai passar o cartão quando abre um livro ou escreve um artigo, porque ele não vai passar o cartão enquanto está sentado no seu escritório – de casa, sem ganhar nada para isso – como eu fiquei ontem, quebrando a cabeça para inventar um método de ensino eficiente para uma turma de 55 alunos. É também extremamente inútil porque inverte a lógica de uma profissão, a partir da lógica de uma lei engessada e anacrônica, como a lei trabalhista do Brasil. Bem entendido: professores – doutores ou não – estão sendo obrigados a bater cartão de ponto não para que sua presença física – e muito menos a qualidade de suas aulas – seja controlada, mas para cumprir uma exigência burocrática e impedir que brechas legislativa dêem margem a processos trabalhistas contra a instituição. SÓ ISSO, meu caro – a presença dos professores era controlada, contra isso não tenho nada. Ou melhor, tenho, contra o termo “controle” – mas esta é outra questão.
O cartão de ponto é uma metodologia de controle extremamente antipática e ultrapassada para praticamente todas as profissões e isto é consenso pelo mundo a fora. Ou seja: a depender da função do Zé da Padaria, ele também não deveria ser *obrigado* a bater cartão de ponto – e eu não me recordo de ter colocado dado nenhum indício de que eu penso assim, foi uma presunção sua, aliás, se me permite, que revela, de sua parte, um grande preconceito.
Para finalizar: esse preconceito de classe *invertido* que você tem é que é “ridículo” (para usar as suas próprias palavras). Professores doutores não são melhores que o Zé da Padaria – e eu nem disse, nem penso, nem ajo sob essa premissa, pergunte aos “zés” das padarias que frequento. Contudo, num “país realmente educado”, os “concidadãos” também compreendem que professores doutores deveriam ser respeitados pelo seu conhecimento e pela função *social* que cumprem. Aliás, *professores*, todos, seriam respeitados, se tivessem seu papel reconhecido na sociedade, como gente que participa de forma importante na construção de um futuro melhor. Os doutores, em particular, têm, em sociedades mais desenvolvidas que esta, o reconhecimento de terem estudado mais 6, 8, 10, 15 anos -a depender da época em que se doutoraram – para se tornarem pesquisadores de ponta e educadores sofisticados. Não merecem ser tratados com o desrespeito de uma instituição como as de ensino superior neste país, que agem EXATAMENTE COM O MESMO PRECONCEITO INVERTIDO QUE VOCE DEMONSTROU EM SEU COMENTARIO, partindo de um sofisma simplista de que se o Zé da Padaria bate ponto, é “justo” o professor também bater e que, recursar-se a fazê-lo é arrogância ou “orgulho ridículo”.
Lamento que você tenha estudado numa universidade pública, pelo visto, muito ruim. Eu estudei numa que tinha muitos problemas, mas a vasta maioria dos meus profs era mto boa, aparecia para dar aula na hora certa, todos os dias, me ensinou muito, alguns são meus mentores até hoje. E, adivinhe: NÃO ASSINAVAM PONTO!
Nota 5 para o seu comentário*. Com um pouco mais de estudo você passa.
* Ele havia dado “zero” para a minha crítica contra o cartão de ponto para professores.

Half-Real: a dictionary of video game theory

Bem, é um dicionário da teoria proposta pelo Jesper Juul, mas está online e é de graça, então vale o link. Como um dicionário, está separado em verbetes, como, por exemplo:

Game

It has been said that what we call games have nothing in common (Wittgenstein 1958, segment 66), but many definitions and descriptions of games have been proposed.

  • Neumann and Morgenstern (1953, p.49) distinguish between a game(such as poker) and the play of the game (a specific session of poker).
  • Huizinga (1950, 15): “a free activity standing quite consciously outside ”ordinary” life as being ”not serious”, but at the same time absorbing the player intensely and utterly. It is an activity connected with no material interest, and no profit can be gained by it. It proceeds within its own proper boundaries of time and space according to fixed rules and in an orderly manner. It promotes the formation of social groupings which tend to surround themselves with secrecy and to stress their difference from the common world by disguise or other means.”
  • Caillois (1961, 10-11): ” […] an activity which is essentially: Free (voluntary), separate [in time and space], uncertain, unproductive, governed by rules, make-believe.”
  • Bernard Suits (1978,34): “To play a game is to engage in activity directed towards bringing about a specific state of affairs, using only means permitted by rules, where the rules prohibit more efficient in favor of less efficient means, and where such rules are accepted just because they make possible such activity.”
  • Avedon & Sutton-Smith (1971, 7): “At its most elementary level then we can define game as an exercise of voluntary control systems in which there is an opposition between forces, confined by a procedure and rules in order to produce a disequilibrial outcome.”
  • Crawford (1982, chapter 2): “I perceive four common factors: representation [“a closed formal system that subjectively represents a subset of reality”], interaction, conflict, and safety [“the results of a game are always less harsh than the situations the game models”].”
  • Salen & Zimmerman (2004, 96): A game is a system in which players engage in an artificial conflict, defined by rules, that results in a quantifiable outcome.
  • Half-Real, chapter 2:A game is a rule-based system with a variable and quantifiable outcome, where different outcomes are assigned differentvalues, the player exerts effort in order to influence the outcome, the player feels emotionally attached to the outcome, and the consequencesof the activity are optional and negotiable.

See play.
Salen & Zimmerman (2004) compare different game definitions.

Half-Real, chapter 2.

Podia explorar bem melhor as possibilidades hipertextuais, ao contrário, é um dicionário quase totalmente linear, os únicos links estão no “ver também”. Mas é um começo…

A filosofia da caixa-preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia

Yay! O livro de Vilém Flusser está disponível na web!

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O videoclipe da banda Hierofante Púrpura, do meu aluno Danilo Sevali (que, com meu outro aluno Felipe Neves – ambos da pós de Criação de Imagem e Sons em Meios Eletrônicos – gravaram um show para mim anteontem) , é uma tentativa guerrilheira de ir além da caixa-preta, com o que acabei de batizar de “estética do pote de figo”, hehehe (leiam a descrição de como o clipe foi feito na página do YT). Valeu, meninos! (Pelo clipe e pela ajuda anteontem!)

Googlar nos torna estúpidos?

Este post é especial para a turma do 4º semestre, porque trata justamente de um artigo sobre assunto que mencionei e que comentamos em sala de aula: os efeitos que o Google e seu sistema de busca estão gerando em nossa forma de pensar. Apesar do título, o artigo não diz nem que estamos, nem que não estamos ficando estúpidos, faz apenas um inteligente percurso sobre como alguns inventos – da escrita ao relógio de pulso – afetaram nossa forma de agir e até mesmo de pensar (não por acaso, exatamente o assunto da nossa aula passada) e, claro, a partir daí, especula acerca dos males e benesses advindas da internet.

Alguns pensamentos me ocorreram durante a leitura. Uma das coisas que me ocorreu: que gente como eu (quem diria!), que ainda viveu tempo suficiente sob esse regime de leitura detida proporcionada pelos livros e que ainda consegue exercê-la com algum sucesso, sob certas condições, talvez vire um tipo considerado tão erudito quanto são para nós pessoas educadas há algumas décadas, capazes de ler partitura e tocar, não porque tivessem dom musical particular, mas porque esse tipo de formação era praxe e, certamente, essa educação musical forma sua maneira de pensar.

Vocês, criaturinhas meio aliche, meio margherita – ou seja, que ainda viveram um mundo pré-internet – ainda têm chance de mergulhar o suficiente na leitura de livros para não perderem completamente essa habilidade de atenção e raciocício duradouro e profundo proporcionados exclusivamente pela leitura. Aliás, ter essa capacidade reflexiva de aproveitar as novas tecnologias, mas tentar lutar contra os vícios que ela impõe só tente a ser benéfico para todos (e eu nem estou de fato entrando nos meandros nefastos do “capitalismo cognitivo”, uma historinha ainda mais profunda).

Por outro lado, como também aponta o artigo, não adianta muito ter medo e ser apocalíptico sobre as mudanças tecnológicas. Inclusive porque, se a internet proporciona esse “quicar” entre trilhas de raciocínio diversas, os games, por exemplo, nos pedem longos períodos de concentração, que pode não ser o mesmo tipo de concentração que a leitura requer, mas, por tudo que posso perceber, como jogadora e pesquisadora, aponta para outras habilidades, qualidades e limitações do pensamento, da criatividade, da percepção.

Bom, mas este link é para que comecemos o semestre criando diálogos a partir deste blog e, num futuro próximo, nos blogs das equipes (aliás, eu tive algumas boas idéias sobre os seminários deste semestre, huahuahua…)

PS: enquanto lia o texto, eu: parei para postá-lo no facebook – fui ao perfil de um amigo parabenizá-lo pelo aniversário – vi o trailer de “Upception”, um fake parodiando “Inception” a partir de “Up” (ou seria o contrário?) – abri esta página para escrever este post – comi uma fatia de bolo de cenoura e tomei um gole de café. O nome disso é “atenção distribuída”, mas a gente volta a este tópico outra hora.

Pós-graduação em Roteiro Audiovisual

Estão abertas até o dia 12 de agosto as inscrições para a pós-graduação lato sensu em Roteiro Audiovisual, oferecida pelo Centro Universitário Senac, no campus Lapa-Scipião e coordenada por esta que vos bloga (meu currículo e outras info aqui). Você pode se inscrever para o curso aqui.

E aqui você acha a grade detalhada de disciplinas do curso. Ele tem duração de 1 ano e meio, as aulas serão às segundas e quartas, das 19h às 22h35, começando dia 16 de agosto. O curso é divido em três grandes módulos temáticos: cinema, TV e novas mídias. No 1º semestre, o foco é o roteiro para cinema, com disciplinas teóricas, de análise e experimentação e um laboratório de roteiro para curta-metragem de ficção; no 2º, o foco é a narrativa seriada para televisão, abordada pelo mesmo viés teoria-análise-discussão-prática, mas também falamos de mercado e políticas audiovisuais — afinal, todo mundo que tem um roteiro precisa saber como viabilizá-lo; no 3º semestre, o foco são as novas mídias, especificamente games, vídeos para internet e dispositivos móveis, a palavra-chave é interatividade e o que esta traz de problemas e soluções para a narrativa contemporânea.

Para o primeiro semestre, os professores serão, mais uma vez, esta que vos escreve, ministrando a disciplina Teoria Narrativa Audiovisual, que, como o nome indica, tem grande carga teórica, indo desde os clássicos – épico, lírico, dramático e outras coisas fundamentais para se compreender o conceito de narrativa/drama – até o que há de mais contemporâneo para se pensar as histórias no universo transmídia – como a nossa própria noção do que é uma história muda ao longo do tempo? Para a disciplina de Linguagem Audiovisual, temos o prof. Cleber Eduardo, cineasta premiado com seu curta-metragem “Rosa e Benjamin”, crítico de cinema e fundador da Revista Cinética e professor do Bacharelado em Audiovisual do Centro Universitário Senac; a disciplina vai aprofundar conhecimentos de linguagem audiovisual fundamentais para a confecção de um roteiro. Finalmente, para Roteiro de Curta-Metragem de Ficção, temos o prof. Fabio Camarneiro, roteirista, mestre pela ECA-USP, também crítico de cinema da Revista Cinética. Nesta disciplina, os alunos vão obter ferramentas técnicas para a criação de  roteiros de curta-metragem pensados para a divulgação em cinema, e vão escrever um roteiro para curta sob a supervisão do professor, contando com o debate em sala para aperfeiçoamento de seu trabalho.

Como coordenadora do curso, posso dizer que acreditamos muito em seu potencial. É um curso que pretende encarar de frente o desafio de formar mão de obra qualificada para um nicho de mercado claro no Brasil atual, ou seja, o de roteirista para diversos formatos, do cinema às novas mídias, passando pela TV, institucional, publicidade e tantos outros formatos emergentes que requerem a presença de um profissional criativo, mas armado de técnicas eficientes, repertório cultural sofisticado e potencial crítico para fazer a diferença. Nosso corpo docente mescla professores titulados, artistas premiados e profissionais premiados – às vezes, tudo numa pessoa só, rs… O corpo docente ainda está em expansão, uma vez que o curso tem sua primeira turma agora, mas, além de professores sempre qualificados, teremos, ao longo dos semestre, palestras de profissionais externos ao curso, que possam dar uma visão privilegiada de questões que venham a surgir, sejam elas de mercado, processos criativos, novas configurações políticas…

Para maiores dúvidas e possíveis esclarecimentos, entrem em contato através do email posscipiao@sp.senac.br