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Preview of Cory Arcangel: Beat the Champ

Entrevista (em vídeo) com o artista americano Cory Arcangel, no site do Guardian, sobre seu novo trabalho no Barbican Art Gallery de Londres: Beat the Champ, uma instalação com vários games de boliche de consoles de várias épocas, hackeados (via hardware) para sempre perderem.

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Secretaria do Audiovisual Industrial (?)

E segue a sensação de retrocesso de pensamento e postura liderada pelo MinC de Ana de Hollanda, agora com a entrevista de sua secretária do audiovisual, Ana Paula Santana. Sobre a entrevista, deixo os comentários maiores e melhores para o Cezar Migliorin, que em seu blog fez observações muito precisas sobre boa parte do que soam, para mim, como retumbantes equívocos de pensamento, análise de conjuntura e planejamento de ação da secretária. Se nada mais, eu tenho que dizer o seguinte: à ideia do reality show com os coletivos criativos eu nem sei que nome dar, honestamente. Vêm à mente “risível”, “patética”, “ingênua”, “arrogante”, mas acho que há outras palavras igualmente boas. Parece partir do princípio – comentado pelo Cezar – de que não há, Brasil afora, um sem-número de coletivos em ação, de onde tem emergido o que é possivelmente a mais inquietante e diversa produção audiovisual brasileira hoje em dia, cuja prática não precisa – e não deve – ser conformada à estrutura industrial (da forma como a SAV parece concebe-la), menos ainda transformada em commodity comportamental num (será que eu li direito???) reality show, com os criadores sendo filmados 24hrs por dia e seu processo criativo alçado à categoria de método a ser disseminado como mais “eficiente”. (Oh, god…)

Migliorin havia escrito já um texto na Cinética, em que ele explica o que chama de “cinema pós-industrial”, e que, da forma como eu entendo, não pretende eliminar a produção industrial (necessariamente), mas fazer jus a demandas de criação e fruição que já existem, que emergiram de um cenário social, cultural, tecnológico real e urgente e que não pode ser negado, nem mesmo sob a ingênua intenção de “melhorá-lo”, alçando-o a uma categoria “mais profissional”. Como bem diz Migliorin, existe um público para esses filmes e ele continuará existindo, como continuarão os coletivos criativos, quem não os abarca são as salas e a estrutura industrial. O que está em jogo é a necessidade de que o estado potencialize essas estratégias pós-industriais já em ação (e renovação constante, por sua própria definição). Ou, nas palavras literais dele: “o papel do estado é potencializar o descontrole”.

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Numa nota mais pessoal: nesses últimos oito anos, vimos no Brasil a emergência real, descentralizada em todos os aspectos e incentivada de diversas maneiras pela gestão Gilberto Gil/Juca Ferreira do MinC, de um cenário extremamente diverso de produção audiovisual. Inúmeras obras audiovisuais em algum ponto do espectro da ficção à não-ficção foram produzidas por pessoas e grupos em diversos lugares do país, com perfil sócio-cultural-econômico diverso, com finalidades, públicos e possibilidades de divulgação diferentes. Nesse cenário, surgiu, por exemplo, o coletivo Alumbramento, em Fortaleza, uma cidade que, até o surgimento desse grupo, contava com um cenário audiovisual extremamente engessado (com raras exceções, das quais destaco o trabalho do pessoal do Alpendre, sobretudo do Alexandre Veras, que de certa forma fomentou o surgimento da Alumbramento), do ponto de vista estético e de produção. Formada por jovens cuja média de idade está abaixo dos 30 anos, a Alumbramento tem produzido obras audiovisuais curtíssimas, curtas, médias e longas, da ficção à não-ficção, dentre as quais, por exemplo, o longa Estrada para Ythaca, dos irmãos Luiz e Ricardo Pretti e de Pedro Diógenes e Guto Parente. Os quatro juntos escreveram, dirigiram, produziram, atuaram, fizeram fotografia, som e montagem do filme. O longa foi premiado no Festival de Tiradentes e no Cine Ceará e rodou festivais pelo Brasil e o mundo, sendo citado, entre outros, numa ótima matéria de Pedro Butcher para a Cahier du Cinéma sobre o cinema brasileiro contemporâneo. Assim como Ythaca, há inúmeros outros filmes dos “meninos” e “meninas” (como eu gosto de chamar muitíssimo carinhosamente) da Alumbramento, que são, ao mesmo tempo, consequência e causa de uma ecologia de fruição, reflexão e produção audiovisual que não começa nem se encerra nisso que o MinC insiste em enquadrar como produção industrial. E, assim como a Alumbramento, há, Brasil afora – possivelmente pela primeira vez, de fato, vazando para fora do eixo Rio-SP – um cenário vivo e pulsante de coletivos, que geram um ruído maravilhoso tanto nas possibilidades estéticas do audiovisual que se faz no Brasil quanto demonstram, por sua própria existência, que já há novas formas de produção em curso.

A questão não é dar as costas para a produção industrial (e isso deveria ser óbvio), mas também não dá-las, sob a desculpa instituicional e paternalista da profissionalização, a esse universo que, repito (exasperadamente) já existe, já está aí, já produz, já distribui, já ressoa, já influencia, já se dobra e desdobra, já forma. A questão é, retomando o Cezar, que é papel do estado continuar potencializando esse universo e, além de, antes de tudo, não cometer a burrice e o crime de tentar cristalizá-lo (palavras minhas), também criar e institucionalizar novas maneiras de fomentá-lo (e seguir as que já surgiram, como os pontos de cultura, os editais reinventando os brasis etc.).

Mesmo não sendo diretamente ligada à área das políticas culturais – mas sendo muito diretamente ligada à área de formação profissional do audiovisual – intuo e seria capaz de apostar que colheremos por muito tempo (seja qual for a linha de ação finalmente seguida pelo MinC) os frutos dessa política cultural progressista, democrática e decentralizada levada a cabo pela gestão Gil/Juca. Digo mais: tenho a impressão de que os impactos são de ordem muito maior do que “apenas” o surgimento de uma nova geração de produtores audiovisuais como o pessoal da Alumbramento. O impacto dos pontos de cultura e de editais como o Revelando os Brasis é de uma potência e sofisticação que transcende e muito o nicho profissional audiovisual, sobretudo quando este é visto do ponto de vista exclusivamente industrial. Trata-se de formação cultural no sentido mais amplo (e democrático) do termo.

Vem-me à mente o caso de Sidnéia, habitante de uma praia ainda um tanto rústica do litoral do Ceará que, por conta desse edital para cidades de até 20 mil habitantes, fez um filme sobre si mesma – ela que é uma rara e muito particular pescadora (uma mulher numa profissão arriscada e tradicionalmente masculina). Eu até conheço a Sid, como ela é chamada lá na Redonda, mas nunca conversei com ela sobre o filme. Contudo, por todos os motivos, dá pra imaginar que tipo de processo se inicia dentro que alguém que ganha voz para se autofabular num filme – e de que forma isso repercute em sua comunidade. O impacto é imensurável e genial.

A gestão anterior do MinC, embora imperfeita (como imperfeito também o governo que a chancelou), teve o grande mérito de dar, possivelmente pela primeira vez no Brasil, atenção decente a ações desse tipo, de “pequeno porte” e, certamente, de pouca visibilidade direta. E é por isso que eu e tantos outros gostamos tanto dela e estamos inconformados com o que parecem ser indícios de uma nova política – no sentido macro do termo – que retorna às ações de “grande porte” e, certamente, alta visibilidade, em detrimento dessas todas que citei (e há muitas mais).

Tal guinada seria um retrocesso monumental. Não perceber isso é perder o bonde do Zeitgeist. Loucamente.

Micro cinemas

Alguns exemplos (comentados na aula pelo Lucas, por alunos ou que dialogam com a aula):


The artwork in its age of mechanical reproducibility – Keith Sanborn


Bed Intruder (comentário da Thaiana)


Cala Boca Galvão, o remix na era do Twitter

I Know Where Bruce Lee Lives (o site que transforma seu computador num remixer de filmes de Bruce Lee)


Addictive TV


Kutiman

Postcard (Lucas Bambozzi)

Mais sobre os Postcards, do Lucas e aqui.


Trailer de Fim do Sem Fim (Beto Magalhães, Cao Guimarães e Lucas Bambozzi)

Download do software gratuito Korsakow (para vídeos interativos, alguns exemplos de vídeos feitos com esse software aqui).

Obsolescência Programada

Documentário espanhol sobre obsolescência programada, disponível na íntegra no YouTube. Alguém aí do 4º semestre/2001 consegue fazer uma correlação entre a idéia de “obsolescência programada” e a “filosofia da caixa preta” de que falamos na aula de hoje? (Lembrando que o livro do Vilem Flusser está disponível na internet! Obs: o link está certo, acho que o servidor que não ajuda, mas recarregando a página uma hora ele aparece!)

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Lembro também que os pdfs das duas primeiras aulas da disciplina de multimídia e Hipermídia estão disponíveis aqui. Ao longo do semestre, colocarei mais conteúdos de aula a afins no blog, portanto, tentem vir aqui com frequência, para que este espaço possa realmente dialogar com a sala de aula.

PS: querendo me MATAR de felicidade, podem utilizar espaço dos comentários para continuar dialogando com aquilo que foi discutido em sala de aula. DICA: vale pontos de participação na nota final #sério.