Emergência

A partir do meu texto e da introdução + capítulo 1 do Emergência (de Steven Johnson, livro disponível na biblioteca em vastas quantidades, breve resenha aqui) definir o conceito de “emergência” e, claro, dar exemplos (descrever os exemplos e justificar por que e como se tratam de sistemas emergentes). Os exemplos não precisam estar restritos a games, podendo incluir filmes, séries ou mesmo sistemas reais – ou aquilo que vocês acharem justo. Lembrem-se de utilizar o máximo de ferramentas para tornar seus exemplos compreensíveis – vídeos, fotos, links etc.

Para lembrar os exemplos citados em sala – que vocês podem desenvolver mais a fundo – nós falamos do Big Brother Brasil como um sistema emergente (assim como de vários outros reality shows de formato parecido) e até das estratégias de preparação de elenco de filmes como O Céu de Suely como dispositivos emergentes (para criar personagens a partir de combinações de procedimentos e comportamentos mais simples).

(E mais um adendo, já que falamos de emergência: o relato de um experimento muito interessante com a versão “manual” do Game of Life com alunos da 8ª série. Se tivéssemos mais tempo, podíamos fazer isso – mas eu acho que você já entenderam…)

Games para exercitar o cérebro

Esbarrei com esses games – alguns já bem conhecidos – no site O Cérebro Nosso de Cada Dia, da neurologista Suzana Herculano-Houzel, cuja coluna Neuro, do caderno equilíbrio, da Folha de São Paulo de ontem, falava justamente sobre o tópico que eu levantei brevemente na aula passada, a “cognição estendida”.

São joguinhos muito bacanas para nos mostrar as limitações e êxitos de funções como atenção espacial, memória de trabalho, memória fotográfica, operações numéricas, planejamento estratégico… Dá pra testar as limitações e melhorá-las (eu, que, como vocês sabem, venho reclamando da memória de trabalho diminuída, melhorei muito em alguns jogos – há esperanças, meninos & meninas!!!). Que tal jogarem, para comentarmos nos blogs e em sala?

Já que falamos de cognição estendida na aula passada (via affordances e Umwelt), reproduzo aqui a coluna, espero que nem a Folha, nem a neurologista se chateiem – pensemos nisso como uma xerox do jornal impresso levado para ser lido em sala de aula, ok? Isso pode, não pode? 😀

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SUZANA HERCULANO-HOUZEL

Onde está seu corpo?

Você olha para sua pele e sabe que ali está o limite do seu corpo… Ou não? Sua presença é anunciada antes da sua chegada pelo calor que emana de você, bem como por seus odores, naturais ou acrescentados.
Nesse sentido, você não é muito diferente de uma pizza. Se da sala você sente o cheiro da pizza na cozinha, é porque a pizza não acaba no forno, ao contrário do que dizem seus olhos. Pedacinhos dela se espalham por onde seus olhos não veem, mas seu olfato ainda detecta, como uma distribuição de probabilidades cujo pico está centrado no forno.
Da mesma maneira, portanto, “você” não acaba na sua pele; há partículas de “você” ao seu redor, como uma nuvem, que já bastam para influenciar as pessoas mais sensíveis a “você” ao seu redor. E, não, não há nada de esotérico nisso. Também não há nada de esotérico em uma transformação que hoje efetuamos de maneira corriqueira com nossos corpos: estender seus limites a uma carapaça de lata a cerca de dois metros de distância além da pele, chamada “carro”.
De posse literal da sua direção, ou seja, cientes de que são nossos comandos cerebrais que causam os movimentos que vemos acontecer, incorporamos a superfície do carro como nossa nova pele: de certa forma, sentimos onde ela acaba, na hora de estacionar ou trocar de pista, sem precisarmos raciocinar conscientemente.
Tudo isso porque o cérebro cria e recria o que ele interpreta como “corpo” a cada instante. Seu corpo não é, ele está em uma sequência ininterrupta de estados enquanto você está acordado.
Você está onde seu cérebro registra coisas acontecendo que possam ser inferidas como consequência de seus comandos para mover “seu corpo”: tudo o que se mover ou gerar sensações na hora certa e do jeito certo, portanto, é “seu corpo”.
É essa correspondência que o neurocientista sueco Henrik Ehrsson manipula através de realidade virtual com óculos que fazem você se enxergar no lugar da cabeça de um manequim e, assim, transferir seu corpo para o corpo do manequim que você vê ser tocado ao mesmo tempo em que sua pele humana é acariciada: agora o manequim é você.
É essa correspondência, também, que o brasileiro Miguel Nicolelis manipula quando faz seus macacos incorporarem braços robóticos ao seu esquema corporal. “Você” não é; você está em tudo aquilo que se mexe e gera sensações como resultado da atividade do seu cérebro…

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ, autora do livro “Pílulas de Neurociência Para Uma Vida Melhor” (ed.Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com 

(FONTE: Folha de São Paulo, 11 de out. 2011, Caderno Equilíbrio)

Exercício para postar no blog

Como explicado em sala de aula, para a semana que vem, peço que exemplifiquem os conceitos de affordance e Umwelt através de vídeos de games, explicando os conceitos a partir dos exemplos escolhidos (ou seja, nada de apenas colocar o vídeo no blog, eu quero explicações de como e por quê aquele vídeo exemplifica os conceitos). Para isso, é preciso ler o texto, obviamente.

(Para quem se interessou pelo conceito de Umwelt e quiser ler um pouco mais, recomendo o texto de Thure von Uexküll, filho do autor do conceito, “A teoria do Umwelt de Jacob von Uexküll”. Esse é o que tem a descrição do “ciclo do carrapato” a que me referi hoje em sala de aula. Mas – DISCLAIMER – é um texto trabalhoso, tem que ser lido por quem tá interessado, com calma e tempo para os conceitos se sedimentarem.)

Para quem ficou curioso com os games que demonstrei em sala, alguns links: Braid, de Jonathan Blow, Passage, de Jason Roher, e Brain Damage, de Stephen Lavelle. Todos passíveis de serem analisados como exemplo dos conceitos expostos no texto.