Games para exercitar o cérebro

Esbarrei com esses games – alguns já bem conhecidos – no site O Cérebro Nosso de Cada Dia, da neurologista Suzana Herculano-Houzel, cuja coluna Neuro, do caderno equilíbrio, da Folha de São Paulo de ontem, falava justamente sobre o tópico que eu levantei brevemente na aula passada, a “cognição estendida”.

São joguinhos muito bacanas para nos mostrar as limitações e êxitos de funções como atenção espacial, memória de trabalho, memória fotográfica, operações numéricas, planejamento estratégico… Dá pra testar as limitações e melhorá-las (eu, que, como vocês sabem, venho reclamando da memória de trabalho diminuída, melhorei muito em alguns jogos – há esperanças, meninos & meninas!!!). Que tal jogarem, para comentarmos nos blogs e em sala?

Já que falamos de cognição estendida na aula passada (via affordances e Umwelt), reproduzo aqui a coluna, espero que nem a Folha, nem a neurologista se chateiem – pensemos nisso como uma xerox do jornal impresso levado para ser lido em sala de aula, ok? Isso pode, não pode? 😀

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SUZANA HERCULANO-HOUZEL

Onde está seu corpo?

Você olha para sua pele e sabe que ali está o limite do seu corpo… Ou não? Sua presença é anunciada antes da sua chegada pelo calor que emana de você, bem como por seus odores, naturais ou acrescentados.
Nesse sentido, você não é muito diferente de uma pizza. Se da sala você sente o cheiro da pizza na cozinha, é porque a pizza não acaba no forno, ao contrário do que dizem seus olhos. Pedacinhos dela se espalham por onde seus olhos não veem, mas seu olfato ainda detecta, como uma distribuição de probabilidades cujo pico está centrado no forno.
Da mesma maneira, portanto, “você” não acaba na sua pele; há partículas de “você” ao seu redor, como uma nuvem, que já bastam para influenciar as pessoas mais sensíveis a “você” ao seu redor. E, não, não há nada de esotérico nisso. Também não há nada de esotérico em uma transformação que hoje efetuamos de maneira corriqueira com nossos corpos: estender seus limites a uma carapaça de lata a cerca de dois metros de distância além da pele, chamada “carro”.
De posse literal da sua direção, ou seja, cientes de que são nossos comandos cerebrais que causam os movimentos que vemos acontecer, incorporamos a superfície do carro como nossa nova pele: de certa forma, sentimos onde ela acaba, na hora de estacionar ou trocar de pista, sem precisarmos raciocinar conscientemente.
Tudo isso porque o cérebro cria e recria o que ele interpreta como “corpo” a cada instante. Seu corpo não é, ele está em uma sequência ininterrupta de estados enquanto você está acordado.
Você está onde seu cérebro registra coisas acontecendo que possam ser inferidas como consequência de seus comandos para mover “seu corpo”: tudo o que se mover ou gerar sensações na hora certa e do jeito certo, portanto, é “seu corpo”.
É essa correspondência que o neurocientista sueco Henrik Ehrsson manipula através de realidade virtual com óculos que fazem você se enxergar no lugar da cabeça de um manequim e, assim, transferir seu corpo para o corpo do manequim que você vê ser tocado ao mesmo tempo em que sua pele humana é acariciada: agora o manequim é você.
É essa correspondência, também, que o brasileiro Miguel Nicolelis manipula quando faz seus macacos incorporarem braços robóticos ao seu esquema corporal. “Você” não é; você está em tudo aquilo que se mexe e gera sensações como resultado da atividade do seu cérebro…

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ, autora do livro “Pílulas de Neurociência Para Uma Vida Melhor” (ed.Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com 

(FONTE: Folha de São Paulo, 11 de out. 2011, Caderno Equilíbrio)

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