Ligando os pontos

O último exercício: conectar (num post por grupo) pelo menos dois dos grandes temas discutidos (Umwelt/affordances, emergência, cultura da convergência,  as biopolíticas discutidas no texto “A vida em cena”, das quais o “compartilhamento sem fricção” no Facebook e afins é também exemplo).

Gostaria que vocês explicassem o mais claramente possível como vocês enxergam essa conexão (ou conexões), citando  exemplos que julguem ser a comprovação dela. Um exemplo citado em sala de aula foi o BBB, que conecta os tópicos de emergência, convergência, biopolíticas e games (logo Umwelt). Ou seja, o BBB, além de um jogo, é, em alguns sentidos, um sistema emergente (os moradores que se organizam em grupinhos, as estratégias que vão surgindo, as narrativas que emergem dessas combinações, a forma como o público responde nas votações) tornado possível pela convergência tecnológica (TV, internet, telefone, celular) e  dispositivo biopolítico supremo (dispositivo de gerenciamento ótimo da vida, onde cada gesto de ‘ser’  existe em função do prêmio final).

Pensemos nisso a partir do que diz a Ilana:

Enquanto dispositivo biopolítico que faz da administração da vida – e do fomento a toda sorte de conflitos e performances –, sua matéria-prima, o Big Brother Brasil apresenta-se também como um dispositivo de convergência: tecnológica e digital de um lado, mobilizando a um só tempo televisão, internet, telefonia e todo tipo de pornografia; e vital de outro, mobilizando aquilo que chamamos de vida-produto, vida-lazer, vida-trabalho e vida-performance.

Distante do ócio e da contemplação da bonança consumista, a noção de trabalho posta em prática pelo BBB engloba a totalidade da vida. Dentro da casa vigiada, o mais incessante trabalho é encenar-se a si mesmo, fazer-se personagem crível e visível, em todos os momentos, até mesmo nos de suposto “relaxamento”. Nessa indeterminação e indiferenciação absoluta entre pessoa e personagem, autenticidade e encenação, vida e obra, performance e produto, em que todos produzem sem parar, até mesmo o espectador é posto para trabalhar.

A complexidade do BBB como dispositivo biopolítico fica clara quando tentamos imaginar que aquelas pessoas ao mesmo tempo “são e não são” aquelas que se apresentam ali. São, porque, obviamente, não são atores encenando um papel de ficção (apesar das suspeitas relacionadas ao dr. Marcelo, como levantado em sala de aula por vocês mesmos). Ou seja, mesmo quando mentem, contam verdades sobre quem são. E não são porque seus personagens surgem – para eles, entre si, para a câmera, para “o Brasil” – dentro do dispositivo de confinamento, votação, prêmio. O dispositivo cria o modo de vida na casa.

Assim, Dourado é e não é aquele troglodita homofóbico que se apresentou ali – e que, num padrão emergente de reações do público, a partir de uma certa “curadoria narrativa” da Globo, acabou conquistando o prêmio final. Na disputa pela visibilidade, sua “encenação de si” o faz transitar uma linha indicernível entre o “autêntico” o “calculado”, para que seu modo de ser na casa se torne o produto mais aceito entre os votantes.

Bom, pensem nisso como um modelo possível de análise para o exercício final, ok?

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