Sobre os games

Como alguns de vocês repararam, a particularidade que todos os games que eu sugeri têm em comum é o fato de tentarem construir, junto com o interator, a partir do ato de jogar, algum sentido que vá além da “mera” diversão. Há alguns games francamente políticos – como os da Molleindustria – outros mais poéticos, alguns apenas ironizam a própria mídia do game/computador (Type Z), outros propõem inovações de linguagem – por exemplo, Feign e Closure, mas todos vão além da simples diversão.

A proposta de exercício é vocês explicarem, a partir da experiência pessoal e intransferível de vocês com os jogos, como eles constroem esse(s) sentido(s) – ou não. Ou seja, a partir de quais atos jogáveis – de qual jogabilidade – eles dão a perceber algum sentido maior (político, estético, poético, irônico ou tudoaomesmotempoagora).

O que quero que vocês pratiquem é essa característica do game como um ser-jogado, ou seja, uma forma expressiva que, para construir sentido, precisa ser colocada em ação pelo jogador ou esse sentido simplesmente nem chega a existir. É claro que qualquer objeto semiótico – filme, livro, fala etc – precisa da participação do espectador, leitor, ouvinte para vir a gerar sentido, mas o caso do jogo é ainda mais particular: ou o jogador joga ou ele sequer chega a ser jogo propriamente, é apenas potência.

Assim, pequenos gafanhotos hipermidiáticos, sem medo de ser feliz (não tem resposta errada!), me digam aí o que vocês acharam dos games, no que têm de bacana para ajudar a construir sentido, o que vocês entenderam, quais são as limitações etc.

*****UPDATE*****

Para começarmos a refletir sobre os games, uma resenha do prof. João Mattar sobre o livro Persuasive Games, do game scholar Ian Bogost. Lá, o João resume o conceito de “retórica procedimental”, muito útil para a análise de vocês desses jogos.

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Alô, pequenos gafanhotos do 4o. semestre!

Novidades, pequenos gafanhotos:

  1. Estou colocando os powerpoints das aulas aqui. Com o prosseguimento do semestre, todos estarão lá, assim como links pra textos etc.
  2. Nosso primeiro exercício também já foi postado (no post abaixo).
  3. Coloquem nos comentários deste post as URLs dos blogs!
  4. Alguns blogs de referência dos semestres passados: Bonitos do AV; Don’t Touch My Nintendo; Game Losers;

Play the game! Nova lista – 4º semestre – turma de 2012-2

UPDATE:

No site Lumosity há vários joguinhos de “aprimoramento cerebral” bem interessantes. Não cabem nas categorias que eu tou propondo aqui, mas, se o que eles prometerem lá for verdade, vocês vão virar O Cérebro e salvar-se do Alzheimer (ok, esta última parte é sério!)

Jogos sugeridos por vocês: Doodle God (sugestão do André)

**** USEM OS COMENTÁRIOS PARA SUGERIR OUTROS GAMES****

Alguns exemplos de análise do semestre retrasado para vocês tomarem como parâmetro: Eveyday the Same Dream (pela Anna Livia), Free Culture (pela Clara Gattone), Auditorium (pelo Amaury Souza).

(E já que estamos no tema, um post do meu colega português de estudo de games, o Nelson Zagalo, sobre os vencedores do Independent Games Festival. E os finalistas de 2011 do IndieCade, outro prêmio importante do mundo dos games independentes e afins.)

Alguns jogos para experimentar & analisar:

Um blog com link pra vários games independentes, mas ainda não tive tempo de experimentar, vejam os que vocês acham.

Todos os da Molleindustria (os mais novos & mais complexos -Phonestory e Unmanned dão mais espaço pra discussão)

Continuity (um jogo que é quebra cabeça e exercício de decupagem)

The End (jogo sugerido por alunas do semestre passado)

Concorrentes ao IndieCade (um dos dois principais prêmios para games independentes):

Auditorium – um jogo musical (tem free para ipad/iphone)

Everyday the same dream (da Molleindustria, tem que jogar várias vezes – e eu quero relatos)

Feign – eu não consegui terminar

Nuovo Awards:

Today I Die – um jogo-poesia

I wish I were the moon – do mesmo designer de Today I Die

Closure – o caminho só existe quando há luz

Outros

Z-Type – digitação rápida!

Debate Night – Obama vs. McCain – jogo da campanha do Obama (não-oficial)

Do game designer mais bizarro do mundo, Steve Lavelle:

NAWCO – (não tenho a menor idéia de como jogar)

Braid (jogo pago, mas recomendável a qualquer um que ainda não o tenha jogado, possivelmente melhor game indie da atualidade, uma das melhores relações jogabilidade-narrativa da história dos games)