Sim, todo homem (post CENSURADO pelo Facebook)

Copio abaixo o post que o Facebook CENSUROU. Com base nisso, o bloquearam meu perfil por 7 dias (o perfil continua lá, mas eu não posso postar, comentar ou reagir a nenhum post). Esta é apenas mais uma sanção arbitrária e injusta dessa plataforma, censurando a voz de mulheres com base em políticas não transparentes e enviesadas, indo de encontro a um direito humano fundamental, que é a liberdade de expressão. As políticas de “segurança” do Facebook são racistas e machistas e se sobrepõem a leis e acordos básicos de liberdade de expressão. Algo que se tornou o fórum de debates de 2 bilhões de usuários não pode ser regido por uma lógica privada, que silencia pessoas que se opõem ao status quo – sem recair em discurso de ódio ou cometer qualquer crime – que beneficia homens brancos e que são executadas unilateralmente, ao arrepio da lei.

Dizer que todo homem representa um risco potencial para as mulheres, num país em que uma mulher é estuprada por um homem a cada 11min e 13 são mortas por homens a cada dia não é “discurso de ódio”, é explicar o que deveria ser óbvio: que não temos como saber quais dos muitos e muitos homens poderão de fato nos agredir, estuprar e matar, pois há homens demais fazendo isso. Silenciar mulheres que apontam o machismo intrínseco ao chororô “nem todo homem” não é “aproximar o mundo”, Mark Zuckerberg, é CENSURA baseada em gênero. É misoginia, é contra a 1ª emenda da constituição do seu país, contra a constituição brasileira e contra o Marco Civil. Isso tem que parar.

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sim, todo homem. TODO homem nas nossas vidas é, pelo menos até algum momento, um agressor, estuprador, assassino em potencial.

quem jogou a moça grávida debaixo do ônibus foi seu ex-namorado, um “inofensivo” estudante universitário. quem matou a musicista de campo grande foi um “inofensivo” carinha namastê vegetariano good vibes, seu ex-namorado. quem mandou matar, esquartejar e dar aos cachorros a mãe do próprio filho foi seu “inofensivo” companheiro rico e famoso, o goleiro bruno. ninguém achava que esses caras pudessem ser assassinos ou estupradores, mas foram.

quando a gente cruza com um homem estranho, a gente não sabe se ele é ou não o cara que vai nos agredir, violentar ou matar, como acontece com tantas de nós. quando a gente sai pela primeira vez com um cara, a gente tem que deixar as amigas avisadas, ir para um lugar público, ter plano B, C, D, Z de escape, porque pode ser que o cara queira nos agredir ou violentar ou simplesmente desconheça o sentido da palavra “não” para qualquer coisa. ir para a casa de um homem desconhecido, semi-conhecido ou mesmo conhecido sempre representa um risco, tão aí todos e todos os casos de estupro advindos dessa situação. todos com carinhas “fofos”, cujos amigos depois ficam “ qué isso, o fulaninho é inofensivo!”

nós, mulheres, não representamos risco para vocês, homens. a possibilidade de você cruzar com uma mulher na noite te escura, ela te levar pra um beco e te violentar é perto de zero. a possibilidade de você sair pela primeira vez com uma mulher, ela jogar um boa noite cinderela na no seu copo, te levar para algum lugar e te abusar é perto de zero. a possibilidade de você ir para a casa de uma desconhecida, semi-conhecida e mais ainda uma conhecida, ela te drogar e te abusar é perto de zero. a possibilidade de uma namorada grávida te empurrar debaixo de um ônibus porque você´que não quer nada com o bebê é perto de zero.

apenas 8% dos homens assassinados o foram por uma mulher e parte disso foi em legítima defesa. 98% das mulheres assassinadas foram mortas por homens. então, quando a gente apontar esses casos cotidianos de VIOLÊNCIA MASCULINA, não venha com esse papo de “nem todo homem”. preocupe-se mais com sua classe violenta e perversa, do que em mostrar às mulheres que você é o floquinho de neve especial do patriarcado e que está muito, muito magoado com o fato de nós termos medo de você. com isso, você só se mostra um babaca, que talvez se torne violento quando recebe um  “não”.

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